terça-feira, 5 de junho de 2012

RETICÊNCIAS

Tanto tempo sem escrever poesia.
Tanto tempo sem dedicatórias.

Chega de reticências.
Reticências são ironias.
Amar é irônico nas reticências.

Tanto tempo tão insensível.
Há tanto tempo sem ter tempo de ter tempo.

Chega de melancolia.
Ironia é melancolia no dia suposto da ressaca das reticências.
De novo os três pontinhos.

O poeta escreve o que eu não quero escrever.

Músicas rolam no meio da solidão de uma noite.
Há sorrisos com a solidão.
Há vinhos e brindes com a depressão.

As palavras são sobre a vida.
A vida não se acabará com a morte de mais um.
A multidão ficará porque tem sofrimento para todos.

A ironia da tristeza se reflete nas reticências da noite,
Nos seus mistérios e instintos.
Como separar? Como sobreviver?
Não poderei responder por que não tenho a verdade ao meus pés.
Não tenho muita coisa hoje neste lugar.
Tenho um revólver e não tenho liberdade.

09-12-1996



segunda-feira, 4 de junho de 2012

OS PÁSSAROS


Eu queria ter asas e saber voar.
Talvez voando eu esquecesse tudo que passo andando.

Voar talvez não seja difícil.
Difícil deve ser esquecer o mundo.

Pássaros têm problemas?

Se tiverem resolvem no instinto.

Resolvem melhor do que os ‘racionais’.

ESCURIDÃO

O QUE O SILÊNCIO QUER DIZER?
O QUE A ESCURIDÃO QUER DIZER?
O QUE SABEMOS SOBRE OS MISTÉRIOS?
POR QUE DESVENDÁ-LOS?

A ROTINA ME TORNA SEDENTÁRIO.
O SILÊNCIO ME FAZ MAIS FORTE.
A ESCURIDÃO ME PROTEGE DA LUZ QUE ALIENA.

EU SOU ASSIM.
E DAÍ?
QUEM É VOCÊ PARA ME QUESTIONAR?
EU NÃO QUERO SABER DAS SUAS IDEIAS SE VOCÊ NÃO QUISER FALAR.
NÃO QUERO SABER DOS SEUS SEGREDOS.

EU QUERO É O MEU SILÊNCIO E A MINHA ESCURIDÃO.
EU QUERO O PRETO NO BRANCO.
EU NÃO QUERO NADA.

04-06-2012

Hoje

Não sei por que às vezes me desinteresso pelas coisas que me fazem bem. Não sei por que eu deixo de refletir sobre as coisas importantes com as minhas palavras. Será que é por que às vezes penso que estou solitário nas minhas reflexões?
Aonde a minha voz vai chegar? Lugar nenhum? Vai servir para quê? O tempo pode me responder exatamente a dimensão do meu silêncio. Estou chegando  numa idade que o meu tempo vai ser contado regressivamente. E daí? As minhas palavras vão ficar quando eu for embora. Eu já sei que não consegui mudar o mundo que vivemos.
Não quero influenciar ninguém. Há muito tempo que desisti de mudar as pessoas. Fiquei arrogante e duro na maneira que lido com a vida. Tem que ser assim mesmo. A vida me ensinou a ser desse jeito. Deixei a ingenuidade de lado e as crenças nos meus mitos infanto-juvenis. Desisti de sonhos complexos e vivencio a simplicidade. Tinha que ser assim para a minha vida ter significado. Ter surpresas era tudo que eu não queria. Eu desejei que tudo seria do jeito que planejei. Foi tudo diferente.